domingo, julho 30, 2006

Navegar, navegar...


É nestas alturas que tenho uma vontade quase irreprimível de soltar as amarras, enfunar as velas e zarpar rumo ao desconhecido.

sexta-feira, julho 28, 2006

Bons velhos tempos!

segunda-feira, julho 24, 2006

Ao folhear um prontuário de língua portuguesa descobri a secção "estrangeirismos a evitar". Achei logo mal. "a evitar" pareceu-me deveras presunçoso - se ainda fosse "estrangeirismos errados", acharia muito bem que alguém se levantasse em defesa da língua. Mas "a evitar"? Se a razão apresentada para tal lista negra fosse o facto dessas expressões serem feias, sim senhor, era uma iniciativa de louvar - eu própria pretendo escrever, logo que disponha do devido tempo, um pequeno rol de "palavras a evitar", acrescentando uma pequena mas esclarecedora nota de rodapé dizendo "porque são feias, soam mal ou têm mau aspecto escritas" - mas não. Diz-se, depois do título, que a razão é simplesmente a existência de sinónimos na língua portuguesa. Pois. Sinónimos, dizem. Senão vejamos:

slogan - eslógã
puzzle - pâzele
slot machine - caça-níqueis
cocktail - coquetel
jeans - jines
stand - estande

Perante isto*, também me pergunto - para quê usar estrangeirismos?

*dirá o leitor atento: "Não, não, isso não estava no prontuário". Ao que eu responderei "Está coberto de razão - à falta de prontuário neste instante, optei por isto".

domingo, julho 23, 2006

Notas prévias:
1. Se me dissessem que, de todas as pessoas do mundo, eu poderia conhecer uma - à minha escolha - não precisaria de 2 segundos para pensar. Teria resposta pronta.

2. Quando, há uns meses atrás, pensava nos atractivos de ir ao Brasil, havia uma razão que se sobrepunha a todas as outras - assistir a um concerto de Chico Buarque.

O impossível - porque é que alguém que detesta dar concertos, e o afirma publicamente tantas vezes quantas as entrevistas que dá (poucas, portanto), haveria de vir apresentar-nos o "Carioca"* - aconteceu. E lá estarei, no primeiríssimo dia em Lisboa, a assistir ao concerto que mais ansiava ver - o do génio.

*Um disco de originais, 8 anos depois, era quanto bastava para ter escrito este post. Um concerto em Portugal (seis, mais exactamente) deveria dar honras de Estado - Presidente da República eu fosse.

quarta-feira, junho 14, 2006

In a short story by Ian McEwan, "Reflections of a Kept Ape", a woman takes a pet chimpanzee as her lover. Although truth is often stranger than fiction, a study published this week by scientist in America demonstrates that both can be pretty odd. The research concludes that humans and chimpanzees interbred after the two species first separated, before eventuallygoing their different ways some 5.4 m years ago. Humans are thus much more recently related to their closest relatives than was previously thought. (in The Economist, May 20th-26th, 2006)

A ter algum fundamento, isto pode significar que todos aqueles que maltratam os chimpanzés, usando-os como cobaias em experiência cruéis ou condenando-os a uma pena de prisão perpétua, cumprida em circos ou outro tipo de espectáculos de rua, estão na prática a maltratar o seu tetra-tetra-tetra-...-tetra-avô. Infelizmente, não tenho a certeza de que esta nova perspectiva sobre a questão pudesse vir a fazer alguma diferença...

Inscrição

Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar


Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, junho 13, 2006

domingo, junho 11, 2006

Deambulações por Madrid

Já que o guia turístico que consegui arranjar não é mais do que uma compilação de vários top tem (10 museus e galerias a não perder, os 10 melhores passeios e itinerários, os 10 melhores quadros no Prado, etc. …), aqui vai uma lista com 10 observações subjectivas acerca de Madrid:

1. Curiosamente, ainda antes de entrar em Madrid, a visão que se tem ao longe da cidade é uma imagem sufocante, confrangedora. Um vasto conjunto de edifícios entrecortado por espaços verdes encontra-se espalmado entre a planura seca da terra e um asfixiante nevoeiro avermelhado que paira no ar.

2. À primeira vista, circular de carro nas ruas pode parecer caótico, mas acaba por ser um desafio muito interessante. Segue em frente! Não posso, é sentido proibido! Vira à direita! Não dá, é uma rua só para peões! Vira à esquerda! Não se pode virar à esquerda… Enfim, quarenta e cinco minutos depois lá encontrámos o objectivo desejado (com alguma ajuda externa, é certo…).

3. Obras, obras e mais obras! A cidade está transformada num grande estaleiro, encontrando-se a cada esquina montes de areia e pilhas de tijolos. A renovação da rede de metro é responsável por uma boa parte desta gigantesca cirurgia que deixou, impudicamente, Madrid com as tripas à mostra.

4. Não sei se é uma consequência directa do atentado terrorista, ou se a convivência de longa data com a ETA já o exigia, mas em todas as ruas é bem visível um forte dispositivo policial, montado para vigiar todo e qualquer movimento suspeito. Da minha perspectiva, isto tem uma grande externalidade positiva – há sempre um polícia simpático pronto para explicar muito devagarinho qual é o caminho para um determinado sítio.

5. Passear a pé é muito agradável. Apesar das temperaturas elevadas, é possível percorrer grandes extensões sempre à sombra, ou de grandes árvores ou de enormes prédios, que ladeiam ruas estreitas. Para além disso, a estrutura labiríntica da parte mais antiga da cidade é propícia a inúmeras descobertas.

6. Ao contrário de Lisboa, Madrid é uma cidade com vida a todas as horas. As ruas estão sempre cheias de gente a deslizar de um lado para o outro. As esplanadas estão cheias até bem tarde e, surpreendentemente, os tocadores de acordeão funcionam como um atractivo; tocam bem e têm um repertório bastante variado, criando um ambiente animado ao seu redor.

7. Um ponto incontornável – os museus. Infelizmente, não houve tempo para ver o Prado. Porém, de tudo o que vi, a minha preferência recai sobre o museu Thyssen-Bornemisza, não só pela variedade como pela organização.

8. Quadro: Guernica. Imponente!

9. Ao nível arquitectónico, as ruas madrilenas também primam pela variedade. Existe uma enorme quantidade de edifícios, dos quais se destacam o do Banco de España e o Metrópolis, que são verdadeiras obras de arte.

10. Finalmente, a comida, que foi o calcanhar de Aquiles. Não é fácil comer em Madrid, mesmo com as tapas e os bocadillos. A única refeição que não se transformou num verdadeiro pesadelo foi o jantar num café/restaurante na Calle del Arenal, onde encontrámos um empregado português.

domingo, junho 04, 2006

Post a publicar a 9 de Julho às 16h45

Final - 9 de Julho 15h Berlim
Portugal 2 - 1 Brasil

3º lugar - 8 de Julho 16h Stuttgart
Itália 2 - 0 Argentina

terça-feira, maio 30, 2006

«Recordar não é de modo algum o mesmo que lembrar. Por exemplo, alguém pode lembrar-se muito bem de um acontecimento, até ao mais ínfimo pormenor, sem contudo dele ter propriamente recordação. A memória é apenas uma condição transitória. Por intermédio da memória o vivido apresenta-se à consagração da recordação. A diferença é reconhecível logo nas diferntes idades da vida. O ancião perde a memória, que aliás é a primeira capacidade a perder-se. Contudo, o ancião tem em si algo de poético; de acordo com a representação popular ele é profeta, é divinamente inspirado. A recordação é afinal afinal também a sua melhor força, a sua consolação: consola-o com esse alcance da visão poética.»

Kierkegaard, In Vino Veritas
Loge:

Was gleicht, Wotan,
wohl deinem Glücke?
Viel erwarb dir
des Ringes Gewinn;
das er nun die genommen,
nützt dir noch mehr:
deine Feinde - sieh -
fällen sich selbst
um das Gold, das du vergabst.

Quem é, Wotan,
mais afortunado do que tu?
Ganhaste muito
com a posse do anel,
mas ao ser-te tirado
ainda ganhaste mais.
Os teus inimigos - vê! -
Destroem-se a si próprios
para conquistar o ouro que lhes deste.

in Das Rheingold, Richard Wagner.

terça-feira, maio 23, 2006

O que é que ffi e @ têm em comum?

À primeira vista parece que nada, mas vim a descobrir que são a mesma coisa. Ou melhor, ambos são ligaturas, ou seja, junções de letras. Se no primeiro caso a junção se deve exclusivamente ao tipo de letra utilizado, no segundo parece que há uma longa história por detrás da contracção de «a» e «d». Para além de ser uma forma abreviada de escrever Anno Domini, ad é também uma preposição em latim, que significa «para», «em» ou «a». Agora até parece bastante lógica a escolha deste símbolo para os endereços de e-mail. O que me parece estranho é que, apesar das fortes raízes latinas do português, nós tenhamos baptizado este símbolo com o nome de «arroba», muito pouco intuitivo, com raízes no castelhano. Porquê complicar o que é simples?

domingo, março 12, 2006

Quase tão importantes como as obras acabadas, os rascunhos dos poemas mostram-nos a vida por detrás das magras linhas pretas, como comboios irregulares de formigas operárias, impressas na folha branca de papel.

Soube hoje que é possível encontrar no site da Biblioteca Nacional rascunhos de poemas de Alberto Caeiro tal qual vieram ao mundo, em formato digital.

Decididamente um site a explorar. Aqui fica um cheirinho.


"Never make forecasts, especially about the future."


Samuel Goldwyn

domingo, fevereiro 05, 2006

A racionalidade - dos agentes pode manifestar-se das mais diversas e variadas formas. E as escolhas que, à primeira vista, parecem inconsistentes, afinal não o são.

“For the first time since the return of democracy in 1974, Portugal’s voters have chosen a centre-right president. (…) Yet less than a year ago, José Sócrates, the current prime minister, became the first Socialist to win an overall majority in parliament for his centre-left party. Why a switch from left to right within 12 months? The answer lies in the similarities between Mr. Sócrates and Mr. Cavaco Silva.”
The Economist, January 28th – February 3r

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Cada um é para o que nasce

Descobri recentemente que o Chico Buarque sonha com músicas e letras de canções que ele nunca ouviu. Eu sonho com contas nacionais e exames de economia.

domingo, janeiro 29, 2006

quinta-feira, janeiro 26, 2006

“É pena que vós não conheçais, vós estudantes, o supérfluo e o luxo em que viveis. Mas eu também era assim quando era estudante. Estuda-se, trabalha-se, não se é preguiçoso, julgamos poder dizer que somos diligentes, mas quase nem sentimos tudo o que poderíamos realizar, tudo quanto poderíamos fazer com esta liberdade. E de repente chega uma convocação do Directório, precisam de nós, dão-nos uma cadeira, uma missão, uma função, daí passa-se para um escalão mais elevado e vemo-nos presos inesperadamente numa rede de obrigações e deveres que, quanto mais nos agitamos, mais encolhe e se aperta. Em si mesmas são apenas tarefas pequenas, mas cada uma delas leva o seu tempo próprio a fazer, e as funções dum dia comportam mais tarefas do que horas. Está bem assim, não é preciso que seja de outra maneira. Mas quando, entre as sessões e as deslocações de serviço, nos lembramos por um momento da liberdade que possuíamos e perdemos, da faculdade de não trabalhar por ordem, de fazer vastos estudos sem limites, podemos muito bem ter um momento de lamento e imaginar que se a voltássemos a ter, saborearíamos até às borras as suas alegria e as suas possibilidades.”

in O Jogo das Contas de Vidro, Hermann Hess

Todos os “profissionais do estudo” deviam ler isto com muita atenção. Eu julgo que, mais cedo ou mais tarde, todos acabamos por sentir saudades dos tão famosos “tempos de estudante”. Eu sinto isso agora… A juntar a esta saudade também sinto muita admiração por aqueles que não são de lamentos e resolvem, intrepidamente, voltar a estudar, acumulando com as “pequenas” tarefas rotineiras o prazer de navegar no oceano do conhecimento. E, certamente, vão valer a pena todos os esforços redobrados, pois a sua alma não é pequena!

quarta-feira, janeiro 25, 2006